Hytalo Santos e Euro usavam adolescentes como “moeda de troca”, diz Justiça
O influenciador Hytalo Santos e o marido dele, Israel Vicente, conhecido como Euro, foram condenados pela Justiça da Paraíba por envolvimento na produção e divulgação de conteúdo pornográfico com adolescentes. A decisão foi proferida pelo Tribunal de Justiça da Paraíba nesta sexta-feira (20).
De acordo com a sentença, os jovens eram utilizados como uma espécie de “moeda de troca” para gerar audiência e, consequentemente, lucro nas plataformas digitais. A decisão aponta que os vídeos publicados pelo casal tinham conotação erótica e contribuíam para a chamada “adultização” dos adolescentes — ou seja, expunham menores a situações e imagens inadequadas para a idade.
Um dos depoimentos considerados no processo foi o do influenciador Felipe Bressanim, conhecido como Felca. Ele afirmou que o casal divulgava os adolescentes nas redes sociais com conteúdos de teor erótico para atrair mais público e monetizar as visualizações. Segundo a sentença, as provas digitais reunidas no processo reforçam essa prática.
As penas aplicadas
Hytalo foi condenado a 11 anos e 4 meses de prisão. Já Israel recebeu pena de 8 anos e 10 meses. Além disso:
- Foi fixada multa de 360 dias-multa, calculada com base no salário-mínimo vigente.
- O casal também foi condenado ao pagamento de R$ 500 mil por danos morais.
- A prisão preventiva dos dois foi mantida.
O que diz a defesa
Em nota oficial, a defesa de Hytalo e Israel criticou a decisão, afirmando que apresentou provas e testemunhas que indicariam a inocência dos acusados. Segundo os advogados, a sentença teria fragilidades jurídicas e seria influenciada por preconceito.
O caso segue sob segredo de Justiça. Está previsto para a próxima terça-feira (24) o julgamento de um pedido de habeas corpus.
A influenciadora Kamyla Maria, conhecida como Kamylinha e filha adotiva de Hytalo, também se manifestou nas redes sociais. Ela declarou que acredita que a condenação foi motivada por racismo e homofobia.
Quem é Hytalo Santos
Hytalo José Santos Silva ficou conhecido nas redes sociais por reunir jovens — muitos deles menores de idade — em uma casa onde gravava vídeos mostrando a rotina do grupo. Ele chamava os participantes de “crias”, “filhas” e até “genros”.
Somando todas as redes, o influenciador acumulava mais de 20 milhões de seguidores. Ele foi preso em agosto de 2025, na cidade de Carapicuíba.
O caso chama atenção pelo debate que levanta sobre os limites da produção de conteúdo digital, a responsabilidade de influenciadores e das plataformas, além da proteção de crianças e adolescentes na internet.