
Governo de Goiás destina R$ 34 milhões para projetos de estudo e conservação de sistemas áquaticos no Cerrado
O Governo de Goiás, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg), está investindo cerca de R$ 34 milhões em três grandes projetos voltados para a conservação dos ecossistemas aquáticos do Cerrado. As iniciativas que têm como objetivo garantir a segurança hídrica e promover o desenvolvimento sustentável no estado são o Araguaia Vivo 2030, o Centro de Excelência em Segurança Hídrica do Cerrado (Cehidra Cerrado) e a Rede HidroCerrado. Além disso, a Fapeg também apoia pesquisas sobre a qualidade da água nos lagos urbanos de Goiânia e os impactos da contaminação nos rios estratégicos da região.
O projeto Araguaia Vivo 2030, que conta com um investimento de R$ 16 milhões, reúne mais de 200 pesquisadores e tem como foco o monitoramento da bacia hidrográfica do Araguaia, um dos maiores corredores ecológicos do planeta. Uma pesquisa revelou uma queda significativa na vazão hídrica do rio entre 1980 e 2020, além de altos níveis de mercúrio em 78 espécimes de peixes, com concentrações acima dos limites estabelecidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O vice-coordenador do programa, professor Ludgero Cardoso Galli Vieira, destacou a importância da visão estratégica da Fapeg para a criação de uma estrutura coordenada e integrada para enfrentar esses desafios.
Por sua vez, o Cehidra Cerrado, instalado na Universidade Estadual de Goiás (UEG), recebeu R$ 15 milhões para desenvolver tecnologias que garantam a gestão sustentável dos recursos hídricos. O centro realiza o monitoramento da qualidade da água, a recuperação de ecossistemas degradados e a adaptação dos municípios às mudanças climáticas. Com núcleos operacionais em diversas cidades, como São Miguel do Araguaia, Porangatu, Iporá e Quirinópolis, o Cehidra utiliza um sistema inovador de mesocosmos, que simula ecossistemas naturais em ambientes controlados. O pró-reitor Cláudio Stacheira enfatiza a necessidade de monitoramento constante para garantir a segurança hídrica para as futuras gerações.
A Rede HidroCerrado, que também conta com o apoio da Fapeg e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), está investindo R$ 3,7 milhões para criar uma rede de pesquisa interdisciplinar com foco no monitoramento da qualidade da água e na mitigação da poluição nas bacias de Meia Ponte e Araguaia-Tocantins. Estudos realizados mostram a presença de contaminação em vários pontos dos rios, reforçando a urgência de estratégias eficazes para a recuperação desses ecossistemas. A coordenadora da Rede, professora Samantha Salomão Caramori, ressalta a importância da colaboração entre as instituições para resolver problemas locais de forma mais eficiente e desenvolver soluções sustentáveis.
Uma pesquisa conjunta entre essas iniciativas revelou um agravamento da crise hídrica no Cerrado, que ficou significativo na vazão de 18 dos 21 pontos analisados no Araguaia. A situação mais crítica ocorre entre os meses de agosto e outubro. Além disso, a qualidade da água é especialmente preocupante ao sul do rio, entre Aruanã e Luís Alves do Araguaia, embora haja uma melhoria no norte, na Ilha do Bananal. Esses dados reforçam a necessidade de planejamento ambiental e políticas públicas fundamentadas em evidências científicas.
Marcos Arriel, presidente da Fapeg, destaca que o investimento na segurança hídrica não é apenas uma questão de preservação ambiental, mas também um fator crucial para o desenvolvimento sustentável do estado. Ele afirma que a ciência desempenha um papel essencial na criação de soluções práticas para os desafios ambientais e que o Governo de Goiás está comprometido em aplicar a pesquisa na proteção dos recursos naturais, garantindo qualidade de vida para a população e um futuro mais sustentável para o Cerrado.