Família de Deolane entram na mira de investigação sobre lavagem de Dinheiro
Família de Deolane Bezerra entra na mira de investigação sobre suposta lavagem de dinheiro
A Polícia Civil de São Paulo ampliou as apurações da Operação Vérnix e passou a investigar familiares da influenciadora e advogada Deolane Bezerra por suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao crime organizado.
Deolane foi presa em 21 de maio sob a suspeita de atuar na movimentação de recursos que, segundo os investigadores, teriam relação com a estrutura financeira atribuída à organização criminosa comandada por Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola. Tanto a influenciadora quanto o grupo criminoso negam qualquer vínculo.
Empresas familiares são analisadas
Documentos produzidos no âmbito da investigação apontam que Daniele Bezerra Santos, Dayanne Bezerra Santos e Solange Alves Bezerra — respectivamente irmãs e mãe de Deolane — figuram como sócias em empresas ligadas à influenciadora que agora estão sendo examinadas pelas autoridades.
A polícia trabalha com a hipótese de que algumas dessas empresas tenham sido utilizadas para movimentar recursos de origem suspeita. Entre elas está a DSDD Cobranças e Informações Cadastrais Ltda., que tem Daniele como administradora e as demais familiares como sócias.
Relatórios da investigação também citam trocas de e-mails envolvendo as investigadas e o contador Eduardo Affonso Rodrigues, já indiciado no caso. Segundo os agentes, ele manteve contato com Everton de Souza, conhecido como Player, apontado como operador financeiro do esquema investigado.
Conexões com familiares de Marcola
Os investigadores afirmam ainda que o mesmo contador participou da abertura de uma empresa em nome de Francisca Alves da Silva, conhecida como Preta, esposa de Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior, o Marcolinha, irmão de Marcola.
A empresa, registrada como FA Silva Consultoria em Gestão Empresarial Ltda., possui sede em Pacaembu, no interior paulista. A polícia considera relevante a distância entre o endereço empresarial e a residência conhecida de Francisca, localizada na capital paulista.
Para os investigadores, Francisca teria papel importante na circulação de recursos investigados e seria uma das ligações entre Deolane e pessoas relacionadas ao esquema apurado.
Defesa nega irregularidades
Até o momento, o inquérito não detalha qual teria sido a participação específica da mãe e das irmãs de Deolane nem os valores que teriam sido movimentados pelas empresas investigadas.
O advogado Aury Lopes, responsável pela defesa da família, afirmou que todas as atividades empresariais e a origem dos recursos serão esclarecidas durante o processo. Segundo ele, não existe, até agora, acusação formal contra as familiares da influenciadora.
Já a defesa de Marcola, Alejandro, Francisca, Leonardo e Paloma declarou que acompanha as investigações e ressaltou que o indiciamento não representa reconhecimento de culpa, destacando o princípio constitucional da presunção de inocência.
Os advogados do contador Eduardo Affonso Rodrigues sustentam que ele apenas prestou serviços profissionais relacionados à abertura de empresas e que não possuía relação pessoal com os investigados.
Alvos da Operação Vérnix
Entre os indiciados pela Operação Vérnix estão Deolane Bezerra, Marco Willians Herbas Camacho, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior (Marcolinha), Everton de Souza, Eduardo Affonso Rodrigues e dois sobrinhos de Marcola.
A principal suspeita contra Deolane é de que ela teria utilizado uma transportadora de fachada, chamada Lado a Lado, sediada em Presidente Prudente, para ocultar recursos supostamente ligados à facção criminosa investigada.