AVC também preocupa adultos jovens e reforça a importância da prevenção

O aumento das internações entre adultos de 15 a 49 anos reforça a importância da prevenção e do reconhecimento dos primeiros sinais. Perda de força em um lado do corpo, dificuldade para falar e alterações repentinas na visão exigem atendimento médico imediato.

AVC também preocupa adultos jovens e reforça a importância da prevenção

O Acidente Vascular Cerebral (AVC), tradicionalmente relacionado ao envelhecimento, vem chamando a atenção pelo aumento dos registros entre pessoas mais jovens. Dados do Ministério da Saúde mostram que as internações de brasileiros com idades entre 15 e 49 anos cresceram 16,9% de 2020 a 2025, passando de 34.896 para 40.788 ocorrências.

Os números evidenciam a necessidade de ampliar a conscientização sobre os fatores de risco e os sinais da doença. No Brasil, informações do DataSUS indicam que, entre janeiro e julho de 2026, foram contabilizadas 50.424 mortes e 182.253 internações por AVC na rede pública de saúde.

De acordo com o neurologista Iron Dangoni Filho, embora a incidência seja maior entre pessoas acima dos 60 anos, o problema não está restrito a essa faixa etária e também pode afetar adultos jovens e crianças.

Identificar os sintomas é fundamental

Os sinais de um AVC costumam surgir de maneira repentina e podem incluir alterações na expressão facial, perda de força ou sensibilidade em um dos lados do corpo e dificuldade para falar ou compreender a fala. Outros sintomas possíveis são perda súbita da visão, tontura intensa, falta de equilíbrio e dificuldade para andar.

Ao perceber qualquer uma dessas manifestações, a orientação é procurar atendimento médico de emergência imediatamente. A rapidez na assistência pode influenciar diretamente as possibilidades de recuperação e a gravidade das sequelas.

Fatores de risco vão além da idade

O aumento dos casos entre pessoas jovens pode estar associado a uma combinação de fatores, como hábitos cotidianos, condições clínicas preexistentes e predisposição genética.

Entre os principais fatores de risco estão pressão arterial elevada, diabetes, colesterol alto, obesidade, falta de atividade física, tabagismo e consumo de drogas. Determinadas doenças cardíacas e alterações relacionadas à coagulação sanguínea também podem contribuir para a ocorrência de AVC nessa população.

O histórico familiar é outro aspecto que merece atenção, principalmente quando há registros da doença entre parentes próximos em idades precoces. Entretanto, a predisposição genética não significa que o problema necessariamente ocorrerá. A adoção de medidas preventivas e o acompanhamento adequado da saúde podem ajudar a diminuir os riscos.

Hábitos saudáveis ajudam a prevenir o AVC

Segundo o neurologista, estima-se que entre 80% e 90% dos casos de AVC possam ser evitados por meio de medidas preventivas. Entre as principais recomendações estão manter a pressão arterial, a glicemia e o colesterol sob controle, praticar exercícios físicos regularmente e adotar uma alimentação equilibrada.

Evitar o cigarro e outras substâncias prejudiciais à saúde também faz parte da prevenção. Além disso, consultas médicas periódicas permitem identificar fatores de risco e iniciar o tratamento de condições que favorecem problemas cardiovasculares.

Esses cuidados são importantes mesmo para quem não apresenta sintomas, já que algumas condições associadas ao AVC podem evoluir silenciosamente.

Agilidade no tratamento pode reduzir sequelas

O AVC acontece quando o fornecimento de sangue a determinada área do cérebro é interrompido ou quando ocorre o rompimento de um vaso sanguíneo cerebral. Em ambos os casos, a lesão pode comprometer funções importantes do organismo, tornando o atendimento rápido indispensável.

Iron Dangoni Filho explica que as consequências variam de acordo com a região cerebral afetada, a gravidade da lesão e o intervalo entre o início dos sintomas e o tratamento. Alguns pacientes conseguem recuperar completamente suas funções, sobretudo quando recebem assistência em tempo oportuno.

Depois da fase aguda, identificar a causa do episódio é essencial para definir as estratégias de tratamento e evitar novas ocorrências. Conforme o quadro clínico, os cuidados podem envolver medicamentos, controle dos fatores de risco e programas de reabilitação com fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional.

A conscientização sobre o AVC deve envolver pessoas de todas as idades. Reconhecer os sinais de alerta, manter hábitos saudáveis e buscar atendimento de emergência diante de sintomas suspeitos são atitudes fundamentais para reduzir mortes, prevenir incapacidades e ampliar as chances de recuperação.