Paralisação dos Correios provoca atrasos e afeta consumidores e pequenos vendedores

O novo crédito faz parte das medidas previstas no processo de recuperação financeira da estatal. Em dezembro de 2025, os Correios haviam contratado outro empréstimo, no valor de R$ 12 bilhões.

Paralisação dos Correios provoca atrasos e afeta consumidores e pequenos vendedores

A paralisação dos trabalhadores dos Correios, iniciada em 10 de setembro de 2026, tem provocado transtornos para consumidores e pequenos comerciantes que dependem dos serviços da estatal. Entre os principais problemas relatados estão encomendas que não chegam dentro do prazo, rastreamentos sem novas informações e dificuldades para obter o ressarcimento de valores pagos pelo envio.

Um dos casos envolve Mariana Greco Mantovani, de 20 anos, responsável pela Sweet Wishes Store, loja que vende bonecas e outros produtos colecionáveis, incluindo itens da Monster High, Funko e cartas de Pokémon. De acordo com a comerciante, duas caixas estão sem movimentação desde o começo do mês. Juntas, elas transportam aproximadamente oito pedidos feitos por clientes.

Além do atraso, a falta de informações dificulta o contato com os compradores. Mariana conta que precisa comunicar cada cliente sobre a situação, embora não tenha como informar uma nova data para a entrega. Em um dos casos, o consumidor chegou a solicitar a devolução do dinheiro.

A comerciante explica que o problema pode gerar prejuízos ainda maiores quando se trata de produtos colecionáveis. Como alguns itens são muito específicos e possuem um público restrito, existe o risco de a mercadoria retornar para sua casa sem que haja outro comprador interessado.

A situação é ainda mais complicada quando os produtos estão sendo importados. Segundo Mariana, depois que as mercadorias entram no Brasil, é possível recorrer a outras empresas de transporte. Durante o processo de entrada no país, entretanto, ela afirma que os Correios são, em muitos casos, a principal alternativa disponível.

Consumidores também enfrentam problemas

As reclamações feitas por clientes também indicam dificuldades no cumprimento dos prazos de entrega. Registros publicados no Reclame Aqui em 17 de setembro relatam objetos que permanecem sem movimentação mesmo depois da data prevista para chegada.

Um consumidor de São Vicente, no litoral paulista, afirmou ter desembolsado R$ 25 por uma modalidade de envio mais rápida. Apesar de a encomenda já ter chegado à cidade, o pacote permaneceu sem movimentação por dois dias após o prazo inicialmente estabelecido. Diante do atraso, o cliente solicitou a devolução do valor pago pelo frete.

Outro relato, feito por um morador de São Paulo, aponta que o sistema de rastreamento não apresentava novas informações desde 15 de setembro, justamente o dia previsto para a entrega. Segundo o consumidor, os Correios informaram que uma solicitação aberta para investigar o caso poderia levar até cinco dias úteis para ser respondida.

Em São Carlos, no interior de São Paulo, outro cliente relatou problemas com uma encomenda enviada por Sedex no dia 12 de setembro. O pacote transportava um documento necessário para uma viagem programada para 18 de setembro. Diante do risco de não receber o material a tempo, o consumidor pediu que os Correios verificassem a localização do objeto e analisassem a possibilidade de retirada diretamente na unidade.

A reportagem questionou a estatal sobre a possibilidade de devolução do valor do frete nos casos em que o prazo contratado não é cumprido. Até a publicação, não houve resposta específica sobre o questionamento. Para situações individuais, os Correios orientam os clientes a procurar seus canais oficiais de atendimento.

Estatal afirma que mantém os serviços

Em comunicado, os Correios informaram que estão adotando medidas previstas em seu Plano de Continuidade de Negócios com o objetivo de preservar o funcionamento das operações durante a paralisação.

Segundo a empresa, as cargas podem ser redistribuídas entre diferentes unidades de acordo com a demanda, permitindo a continuidade das etapas de tratamento e entrega das encomendas.

A estatal também declarou que funcionários de setores administrativos estão sendo direcionados para atividades operacionais e que ações concentradas de entrega estão sendo realizadas para diminuir os impactos provocados pela paralisação.

De acordo com os Correios, o funcionamento das operações é monitorado de forma permanente e outras providências poderão ser implementadas caso sejam necessárias. As agências continuam abertas ao público e, segundo a empresa, seguem funcionando normalmente.

A estatal também afirmou reconhecer o direito de greve dos trabalhadores, embora tenha destacado que a paralisação acontece em um período considerado delicado para a empresa.

Paralisação ocorre durante processo de recuperação financeira

O movimento grevista acontece em meio a um cenário de dificuldades financeiras enfrentado pelos Correios. Conforme informações divulgadas pela Folha de S.Paulo, a empresa solicitou ao Tesouro Nacional uma garantia para viabilizar a contratação de um financiamento de R$ 7 bilhões com quatro instituições bancárias privadas.

O novo crédito faz parte das medidas previstas no processo de recuperação financeira da estatal. Em dezembro de 2025, os Correios haviam contratado outro empréstimo, no valor de R$ 12 bilhões.

Além disso, está prevista a transferência de mais R$ 6 bilhões pela União em 2027, como parte das medidas destinadas à recuperação financeira da empresa.