Policarpo atribui bom momento do Vila Nova à união entre torcida e gestão
Vereador e vice-presidente do clube destaca apoio dos torcedores e medidas de reorganização financeira como fatores para a evolução do Tigre
O presidente da Câmara Municipal de Goiânia, Romário Policarpo (Cidadania), atribui a boa fase do Vila Nova na Série B do Campeonato Brasileiro à combinação entre a força da torcida e o trabalho de reorganização administrativa e financeira realizado pelo clube. Após os resultados da rodada, o time alcançou sua melhor campanha na era dos pontos corridos da competição.
O Vila Nova voltou à liderança da Série B pela sétima vez e também se consolidou como a equipe que permanece há mais tempo entre os seis primeiros colocados, grupo que garante acesso à Série A. Na sexta-feira (18), o Tigre derrotou o América-MG por 1 a 0, no OBA, com gol de André Luís. O resultado, somado aos tropeços dos concorrentes diretos, recolocou o time na primeira posição.
Vice-presidente do Vila Nova, Policarpo ressaltou a participação dos torcedores no momento vivido pelo clube. Segundo ele, o apoio das arquibancadas tem sido fundamental para o desempenho da equipe.
“A torcida do Vila tem carregado a gente de uma forma que ninguém pode explicar. Obviamente, a gente não tem a maior torcida do país, mas temos uma torcida apaixonada, que carrega o time da maneira como ela tem carregado”, afirmou.
Para o vereador, o atual momento também permite que o clube demonstre sua capacidade de crescimento e mobilização. “O torcedor está tendo a oportunidade de lavar a alma dele e de torcer pelo seu time. E, principalmente, de mostrar o tamanho que é o Vila Nova. Talvez nem a imprensa saiba qual é o tamanho do Vila Nova e o que ele pode atingir”, declarou.
Reorganização financeira
Além do desempenho dentro de campo, Policarpo relaciona a campanha à reorganização financeira promovida pela administração do clube. A avaliação é de que o equilíbrio das contas possibilitou investimentos e a montagem de um elenco competitivo para a temporada de 2026.
Parte das ações de reestruturação contou com a atuação de Policarpo na Câmara Municipal de Goiânia. Uma parceria institucional com a Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) resultou no repasse de R$ 1,5 milhão ao Vila Nova. O recurso integrou um pacote de R$ 5,5 milhões destinado ao futebol goiano, formado a partir da redução de despesas operacionais e da devolução de recursos não utilizados pelos Legislativos municipal e estadual.
A iniciativa também contemplou os demais grandes clubes da capital, com o objetivo de oferecer apoio financeiro ao futebol profissional de Goiás.
Outra frente de atuação envolveu débitos antigos do Vila Nova. Durante a tramitação do Refis de 2023, Policarpo articulou a inclusão de uma emenda que possibilitou a compensação de aproximadamente R$ 7 milhões em dívidas de Imposto Sobre Serviços (ISS) do clube junto ao município.
O acordo também envolveu outros grandes clubes goianos, que acumulavam aproximadamente R$ 64 milhões em débitos. Como contrapartida, as equipes assumiram compromissos relacionados à prestação de serviços sociais à população. A iniciativa resultou na criação de quase 6 mil vagas gratuitas de iniciação esportiva destinadas a crianças e adolescentes.
Resgate da identidade do clube
Policarpo afirma que as medidas adotadas pela atual diretoria vão além dos resultados esportivos e têm como objetivo recuperar a confiança e o orgulho da torcida colorada.
“Se Deus abençoar e for da vontade dele a gente alcançar esse acesso, a gente vai começar a multiplicar o nosso sonho. Mas o meu sonho é só que o torcedor do Vila Nova continue sorrindo como eu estou sorrindo. A gente quer deixar aqui um sentimento para o torcedor de que é o resgate da camisa, o resgate da marca, o resgate da dignidade que ele tem”, afirmou.
Redução do passivo trabalhista
O processo de reorganização financeira também envolveu a redução de dívidas e processos judiciais acumulados ao longo dos anos. Desde 2020, o clube vem adotando medidas para reduzir o passivo e regularizar compromissos herdados de administrações anteriores.
Segundo os dados apresentados pela gestão, o Vila Nova chegou a ter cerca de 220 processos judiciais, envolvendo ações cíveis, trabalhistas e demandas na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD). Ao longo dos últimos anos, aproximadamente R$ 20 milhões foram destinados ao pagamento dessas obrigações.
Somente no último semestre, seis execuções trabalhistas foram encerradas, com pagamentos superiores a R$ 1,1 milhão. A regularização das pendências, segundo a administração, contribui para melhorar a credibilidade do clube e ampliar a capacidade de investimento no futebol.
Para Policarpo, o processo de reconstrução ainda está longe de ser concluído. “Eu não posso dizer onde é que a gente quer chegar, porque ninguém sabe onde que isso tudo pode chegar. É muito grande. A gente não atingiu nem metade do potencial que o Vila Nova tem. O que eu quero é continuar velhinho aqui dentro, fazendo esse torcedor sorrir. Quando ele está sorrindo, eu também estou”, concluiu.